Alentejo aposta na reabilitação para combater perda demográfica

Em acelerado recuo demográfico, a perder uma média de oito pessoas por dia, o Alentejo olha para os fundos destinados à reabilitação urbana como uma oportunidade para reverter a desertificação. Isso mesmo defendeu o presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Pinto de Sá, no debate promovido pelo Banco Santander dedicado à reabilitação urbana, e ao Alentejo em particular, realizado na terça-feira em Lisboa.
“Temos de alinhar uma estratégia que inverta esta tendência de desertificação e que passa pela atração, expansão e diversificação de setores económicos, mas também pela revitalização dos centros históricos”, disse Carlos Pinto de Sá. Referindo-se ao Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização Urbana (IFRRU 2020), o autarca sublinhou que “é preciso trazer pessoas e vida para os centros das cidades e este programa é essencial para isso”.
Carlos Pinto de Sá referiu estar em curso uma “dinâmica muito significativa, com o maior número de obras que alguma vez houve no centro histórico de Évora” e acrescentou que a própria câmara também estará interessada em apresentar projetos ao abrigo do IFRRU, pois tem cerca de 5 mil edifícios identificados, alguns dos quais de grande dimensão.
Na mesma linha, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, Roberto Grilo, disse que “a reabilitação urbana é fundamental para a região, representando, aliás,  cerca de 20% dos fundos deste PDR (Plano de Desenvolvimento Regional)”.
Assumindo que o objetivo é que os fundos sejam transversais a toda a região e não apenas centrados nas cidades, Roberto Grilo disse que “a expectativa é enorme” relativamente à adesão que o programa pode suscitar. “Precisamos de captar novos residentes e promover o investimento em atividades económicas e, ao nível dos 56 municípios, ainda há muito campo para trabalhar”, observou.
O turismo é a área que mais se tem destacado na apresentação de projetos de reabilitação urbana, como confirmou o presidente do Turismo do Alentejo, António Ceia da Silva. “Nos últimos anos, deixámos de ser a região das anedotas para ser a nova Toscana”, disse, numa alusão aos artigos publicados na imprensa internacional, que têm distinguido a região pelo seu património  arquitetónico e natural. Uma distinção que tem garantido retorno, na medida em que o Alentejo “é a região do país onde o turismo mais tem crescido, com os proveitos a subirem 20 por cento”, apontou o responsável.
“A região atraiu 600 milhões de euros de investimento privado, que  mudaram a face da oferta turística, ou seja, há uns anos tínhamos um hotel de 5 estrelas, hoje temos 12 hotéis dessa categoria”, exemplificou aquele responsável.
Sobre o IFRRU em particular – de que o Banco Santander é o principal executor –, António Ceia da Silva disse que “é um mecanismo fabuloso que tem de ser melhor explicado aos investidores”. Neste momento, o único projeto aprovado no Alentejo, ao abrigo do IFRRU, situa-se em Elvas e é do setor do turismo.
Respondendo pela estrutura de gestão do IFRRU, Dina Ferreira lembrou que tem havido sessões de esclarecimento por todo o país e também no Alentejo, nomeadamente em Portalegre, Santiago do Cacém, Beja, Alcácer do Sal, Castelo de Vide ou Évora, com o apoio das equipas do Santander destacadas para este programa. E apesar de reconhecer que o número de operações contratadas ainda está longe do ambicionado e do seu potencial, a vogal da comissão diretiva do IFRRU referiu que a adesão está a aumentar de forma consistente.
Segundo avançou Dina Ferreira, no total do país existiam em maio cerca de 480 intenções de investimento para projetos de reabilitação num valor estimado em 1,5 mil milhões de euros. Quanto aos contratos já assinados, estes ascendem atualmente a 13 e representam investimentos da ordem dos 72 milhões de euros, avançou a mesma responsável.
A vogal da comissão diretiva do IFRRU considerou que, em comparação com o anterior programa de financiamento à reabilitação urbana, “o nível de adesão até está acima do verificado no passado, tendo em conta o tempo decorrido desde o lançamento”. Por isso, Dina Ferreira mostrou-se confiante no crescimento do número de contratos ao longo dos próximos meses.
Com igual confiança, o diretor do Banco Santander para a área de fomento à construção, António Fontes, refere que “a evolução do número de contratos está a ser muito positiva, embora ainda aquém do que gostaríamos”.
Grande parte dos futuros contratos no Alentejo virão do setor do turismo, como antecipou o presidente do Turismo do Alentejo, que revelou a existência de um conjunto de investidores com projetos de cem milhões de euros, nomeadamente para um hotel de cinco estrelas em Vila Viçosa e outro em Borba.
António Ceia da Silva referiu que se vive um momento de grande dinamismo no turismo da região, que está a provar ser sustentável.

Carla Aguiar