‘Brexit’ causa apreensão no setor

Impacto A saída do Reino Unido vai representar uma quebra de três mil milhões de euros anuais no orçamento de 80 mil milhões da PAC

Os agricultores portugueses e espanhóis estão preocupados com as possíveis consequências da saída da Inglaterra da União Europeia e não sem razão.
O impacto do brexit na agricultura europeia deverá saldar-se em menos três mil milhões de euros anuais num orçamento global de 80 mil milhões para financiar a Política Agrícola Comum no espaço da União Europeia, disse João Machado no debate da Economia Ibérica “Conversas Soltas”. Tal como alerta o presidente da CAP,  “para que possamos ter no próximo quadro comunitário de apoio, em 2020, um orçamento idêntico, os restantes Estados membros terão de disponibilizar mais 21 mil milhões de euros”.
Por essa razão, a Condeferação dos Agricultores de Portugal defende, internamente e em Bruxelas, que “Portugal tem de lutar para manter o  seu orçamento”. Até agora o governo tem relativizado esse impacto para Portugal.
João Machado lembrou muito em particular a responsabilidade da União Europeia e dos Estados Unidos, com políticas agrícolas muito fortes, para que seja possível aos agricultores responderem àquilo para que apontam várias projeções, ou seja, de que vai ser necessário produzir mais para combater o previsível défice alimentar nas próximas décadas.
PAC aponta para mais produção
Aquele responsável referiu que é também nesse sentido que aponta a reforma da Política Agrícola Comum (PAC) . Ou seja, as orientações de Bruxelas indicam um aumento da produção e uma preocupação cada vez maior com a sustentabilidade ambiental.
Os próximos tempos serão importantes para definir o quadro financeiro da PAC ao mesmo tempo que há países a defenderem alterações no sistema das ajudas à produção, que poderão obrigar a novos ajustamentos para os agricultores portugueses.
Neste contexto, as confederações de agricultores  têm à sua frente um  longo e árduo caminho de lobby junto das instituições comunitárias .
A esse propósito, o presidente da CAP referiu que é já uma tradição que as confederações de agricultores portuguesas e espanholas trabalhem juntas em Bruxelas em intensa colaboração para a defesa da agricultura dos seus países.
A agroindústria está, de resto, cada vez mais interligada com investimentos cruzados nos dois lados da fronteira, embora com maior presença de empresas espanholas em Portugal, em particular desde que o país passou a contar com Alqueva, o maior lago artificial da Europa como infraestrutura de rega das mais modernas do mundo.

Carla Aguiar (Texto)

Sara Matos (Global Imagens)