A Endesa vista num relance

Panorama. Com 72 anos de existência mas presente em Portugal apenas há 23, a gigante espanhola Endesa já conquistou perto de 20% do mercado elétrico liberalizado português

 

Líder do setor elétrico espanhol há várias décadas, a Endesa entrou em Portugal em 1993 e, em apenas alguns anos, assumiu-se como o segundo maior fornecedor do mercado liberalizado de eletricidade português. Parte do grupo italiano Enel desde 2009, a gigante espanhola restringiu-se ao mercado ibérico – deixando o resto do mundo à casa-mãe -, o que ainda assim significa dimensões de respeito: só no primeiro trimestre de 2016, os lucros líquidos consolidados da Endesa somaram 342 milhões de euros.

Começou, há 72 anos, pela construção de uma central térmica em Ponferrada, em Leão. A produção de energia elétrica era a principal área de negócio da Endesa. Com o tempo viria a diversificação para a distribuição e venda de energia e para a geração elétrica a partir de outras fontes que não o carvão: hidroelétricas, nucleares e gás natural.

A expansão territorial só chegaria com os anos 1970. Construíndo  unidades ou aquirindo e fundindo-se com outras, a Endesa cresceu em Espanha, aventurou-se para cidades espanholas de além-fronteiras, como Ceuta e Melilla, e em 1992 entrou num país estrangeiro, a Argentina. A Portugal a Endesa chegou um ano depois, com a participação na central do Pego, em Abrantes (na foto abaixo).

Comprada em 2009 pela italiana Enel, a estratégia da Endesa passa a centrar-se na consolidação do mercado ibérico e na procura de respostas para os desafios do século XXI: menor agressão ao ambiente na geração de energia e manter-se líder numa altura em que sociedades e equipamentos energeticamete mais eficientes implicam a queda do consumo de eletricidade. Para isso, aposta nas energias renováveis, incentiva os transportes e veículos elétricos nas cidades e cria serviços e tecnologias de valor acrescentado para o cliente, como o contador inteligente para vivendas em Málaga.

 

Pego1.  Elétrica espanhola é a n.º 2 em Portugal

A Endesa tem na produção, distribuição e venda de eletricidade na Península Ibérica a principal área de negócio. Enquanto produtora em Portugal, a Endesa tem participações em diversas centrais de carvão e de gás natural – Tejo e Elecgas – que, em 2015, garantiram uma quota de mercado de 9,4%, produ-zindo um total de 1 862 gigawatts/hora (Gmh). Mas é na comercialização que a elétrica espanhola tem vindo a ganhar terreno: com 7,25 terawatts/hora (TWh) de energia fornecida em 2015, a Endesa é o 2º operador do mercado liberalizado português de energia elétrica, com uma quota perto dos 20%.

 

0000023-00082.  Clientes ibéricos são 11 milhões

A Endesa serve na Península Ibérica cerca de 11 milhões de clientes, mais do que o total da população portuguesa. Para assegurar estes serviços, a Endesa emprega quase 10 mil pessoas – concretamente, 9.886. Em Portugal, entre clientes de eletricidade e gás natural, a Endesa soma mais de 178 mil clientes e comercializou aproximadamente 10 TWh de energia em 2015.

 

IMG_22943.  Mais 200% de gás natural Endesa

Em 2015, a Endesa forneceu, em Portugal, 2,7 TWh de gás natural, o que equivale a um crescimento de 208% face a 2014. No final do ano passado os clientes Endesa de gás natural eram já 4435. E a perspetiva é de crescimento, já que no segundo semestre de 2015 a Endesa começou também a fornecer gás natural ao mercado residencial e aos pequenos negócios, além da indústria.

 

DSC001944.  Redes com mais de 300 000 km

As redes de distribuição e transporte da Endesa na Península Ibérica – entre linhas áreas, subterrâneas e outras – somam um total de 316 650 km. Da rede Endesa fazem parte as mais de 87 mil subestações de distribuição de energia e os 131 636 centros de transformação (na foto).

 

Farolas eficientes15.  Inovação e serviços garantem liderança

Para liderar o mercado há que oferecer serviços de valor acrescentado. Por isso, a Endesa está pronta para dar conselhos para otimizar a gestão e a eficiência energética aos clientes – afinal, a sua sede, em Madrid, foi  classificada como edifício sustentável -, fazer manutenção de equipamentos ou instalar contadores inteligentes em vivendas ou microturbinas eólicas (na foto), como fez em Málaga.

 

Texto: Adelaide Cabral
Imagens: Endesa