Há 200 projetos para investir em reabilitação urbana ao abrigo do IFRRU

 

As nossas cidades não podem perder esta oportunidade”. É deste modo expressivo que Abel Mascarenhas convida os investidores com projetos de reabilitação urbana a candidatarem-se à linha de financiamento do IFRRU, que disponibiliza  um total de1,4 mil milhões de euros, com taxas de juro 50% mais baixas.
O presidente executivo do Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização Urbanas, que falava no primeiro de seis debates ‘Reabilitar para Revitalizar IFRRU 2020’  na  sede do Santander Totta, adiantou que a iniciativa registou 30 candidaturas desde outubro,  correspondentes a investimentos de 100 milhões de euros.
Mais importante do que aquele resultado é, para Abel Mascarenhas, o potencial de crescimento, que revela uma “dinâmica muito positiva”.  É que as intenções de investimento manifestadas junto da banca ascendem neste momento a 200, correspondendo a planos de investimento de 750 milhões de euros, adiantou o responsável. Ou seja, o nível de interesse já equivale a metade do total de verbas disponíveis para os três anos da iniciativa.
Um processo para o qual “o Santander Totta tem dado um contributo  substancial, enquanto banco responsável por mais de metade da linha de financiamento disponibil i- zada ao abrigo do IFRRU, num total de 713 milhões de euros”, lembrou o administrador da instituição, Pedro Castro e Almeida, na abertura do debate.
Santander dá apoio técnico
“ O Santander Totta tem um papel decisivo no sucesso deste projeto”,  disse o banqueiro, para destacar as atividades de apoio técnico mas também de divulgação e esclarecimento por todo o país, incluindo a Madeira e os Açores, através de encontros de desenvolvimento urbanístico local em que a instituição está envolvida, a somar aos debates previstos em parceria com o Global Media Group.
São sinais de que o  maior banco privado a operar no mercado nacional (em ativos e crédito concedido) “quer estar na linha da frente deste processo”, depois de ter sido o melhor classificado no concurso público internacional para a gestão da linha de financiamento, concluiu Pedro Castro e Almeida.
Revitalizar o Interior
Falando sobre o impacto da reabilitação urbana no turismo, Carlos Abade citou os impressionantes resultados recentes do turismo português para sublinhar que “a reabilitação urbana não é alheia ao processo”. Pelo contrário, os projetos oriundos do setor representaram mais de metade do investimento realizado ao abrigo de uma anterior iniciativa de apoio à reabilitação.
O vogal da comissão executiva do Turismo de Portugal revelou que as receitas totais do setor em 2017 cresceram 20% face ao ano anterior – que tinha já sido excecional – para a casa dos 15 mil milhões de euros.  E adiantou que o setor já representa18% das exportações.
“Revitalizar as cidades do interior e criar fontes de atração alternativas a Lisboa e Porto”são, na opinião de Carlos Abade, os desafios mais oportunos que se colocam a esta nova fase da reabilitação urbana, para melhorar a coesão económica e territorial.Um objetivo em linha com a estratégia 2027 para o turismo, que assenta também na sustentabilidade ambiental, nomeadamente por via de um aumento da eficiência energética.
Mais do que um mero embelezamento das cidades, Carlos Abade considera que os investimentos em reabilitação urbana induzem qualidade de vida, animação económica, em especial no turismo, e ganhos substanciais em eficiência energética.
A eficiência térmica dos edifícios recuperados é, de resto, um requisito para aprovação dos projetos de reabilitação urbana ao abrigo do IFRRU.  E os estudos, a nível nacional e europeu, indicam que os investimentos realizados nesta matéria compensam, não apenas ao nível do conforto, como na poupança energética e, tão ou mais  importante, na valorização do próprio imóvel .(ver texto ao lado)
O IFRRU apoia um leque diversificado de situações, contemplantanto a habitação própria como o arrendamento e a  venda, atividades económicas e também habitação social. E é vocacionado para a reabilitação de imóveis com idade igual ou superior a trinta anos.
Este instrumento de apoio à reabilitação conta com a particularidade de ter um ponto local em cada município, que permite facilitar a relação dos candidatos com as estruturas municipais, que têm parecer vinculativo.   “Em teoria, este ponto local  ser ia o primeiro contacto dos investidores com o programa, mas na prática , está a funcionar ao contrário, com os candidatos a virem primeiro ao banco porque prestamos apoio técnico e fazemos o devido acompanhamento”, explica António Fontes,diretor da área de fomento à construção do Santander Totta. “.
O administrador do Global Media  Group, José Carlos Lourenço, congratulou-se pela associação ao projeto, comprometendo-se com um tratamento jornalístico de qualidade nas marcas DN, JN , TSF e DV  ao longo dos próximos meses.

Carla Aguiar (Texto)

Diana Quintela (Fotos)