Há duas novas variedades de arroz made in Portugal

Inovação. As novas sementes prometem melhorar a produtividade em cerca de três toneladas  por hectare e aumentar o rendimento dos produtores. Investigação foi feita no COTA Arroz

O mercado vai contar com duas  novas sementes de arroz made in Portugal que prometem melhorar a produtividade da orizicultura nacional e aumentar o rendimento dos produtores.
O anúncio foi feito pelo presidente do conselho de administração da Orivárzea, António Madaleno, na segunda edição das Conversas Soltas, integradas na iniciativa Economia Ibérica do Banco Popular e do Global Media Group, neste ano dedicada ao setor agroalimentar.
“Há 30 anos que não se fazia uma inscrição de uma nova variedade”, disse António Madaleno. “Estamos agora a produzir a pré–base e dentro de dois a três anos deverão estar disponíveis no mercado”, acrescentou o gestor, que é também presidente do COTA Arroz (Centro Operacional e Tecnológico do Arroz), onde foi feita a investigação para o desenvolvimento das novas variedades. São elas a Ceres (carolino) e Maçarico (agulha).
A primeira consequência desta inovação será ao nível da produtividade, tal como reconheceu António Valente Marques, presidente da Valente Marques, S.A. – que produz o arroz Caçarola. “É possível crescer alguma coisa.” A produtividade média por hectare pode passar das atuais seis a sete toneladas para oito a nove toneladas, admitem os empresários. Isto no contexto de uma produção anual, no nosso país, de 180 mil toneladas de arroz.
Uma vantagem bem-vinda à produção, precisamente quando se vê confrontada com um esmagamento das margens por pressão da concorrência asiática, mas também pelo fato do arroz carolino – produzido maioritariamente em Portugal – ter, em regra, custos de produção 15 cêntimos mais elevados do que outras qualidades.
Para além dos ganhos de produtividade, que se traduzem, por sua vez, em melhorias nos rendimentos dos produtores, as novas variedades “vão contribuir também para a diferenciação do nosso arroz também nos mercados de exportação”, considera António Madaleno.
Uma diferenciação a que deverá estar igualmente associada a uma valorização do produto por via do preço.
Também a diretora-geral da APED (Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição), Ana Isabel Trigo de Morais, considera que “é preciso investir na cadeia a montante e melhorar os custos de produção com vista a um reforço da competitividade”.
O presidente do Banco Popular, Carlos Álvarez, anfitrião do debate, reiterou que o objetivo “é levar o país para a frente, falar de setores onde empresários têm feito um trabalho magnífico”, para além de contribuir para o desenvolvimento daquilo que é preciso resolver. Da parte do Global Media Group, o administrador José Carlos Lourenço destacou o peso crescente do agroalimentar na economia, atribuindo-o à inovação e rigor das empresas do setor, progresso cuja divulgação se insere no âmbito da responsabilidade social do Global Media Group.

Texto: CARLA AGUIAR

Foto: DIANA QUINTELA/GLOBAL IMAGENS