Habitação: Algarve tem 17 500 edifícios degradados para recuperar

Vem aí mais dinheiro para apoiar a reabilitação urbana. Para isso é preciso acelerar a execução do IFRRU, que avança no Algarve

A linha de financiamento de 1,4 mil milhões de euros para a reabilitação urbana pode ser substancialmente reforçada, se tiver uma boa taxa de execução, disse o presidente da comissão diretiva do Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização Urbana (IFRRU). Abel Mascarenhas – que falava em mais um debate do Santander sobre reabilitação, desta vez, dedicado ao Algarve – disse que essa foi a garantia dada recentemente pelo Banco de Desenvolvimento do Conselho Europeu.
Um reforço oportuno, tendo em conta que só no Algarve estão identificados 17 500 edifícios a carecer de obras de recuperação, num quadro nacional de um milhão de edifícios degradados.
A região apresentou quatro candidaturas, que correspondem a projetos de investimento de 13 milhões de euros, contando já um contrato assinado ao abrigo do IFRRU, revelou o responsável. Um ritmo de adesão que todos querem acelerar. Até porque, como lembrou o presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve e edil de Tavira, Jorge Botelho, “se não gastarmos os sete milhões que alocámos teremos de os devolver”.
Jorge Botelho afiança que “há neste momento uma corrida à recuperação de património histórico, com empresários a comprarem prédios para transformar em hotéis de charme, alojamento local ou segunda residência”. E acrescentou que “a reabilitação urbana é um fator crítico para a atividade turística durante todo o ano”.
“Numa região responsável por mais de 19 milhões de dormidas em 2017 – que equivale ao conjunto do turismo de Lisboa e Porto -, o presidente da Região de Turismo do Algarve, Desidério Silva,  considerou que “a reabilitação tem um papel importantíssimo”. Desidério Silva justificou essa relevância com a estratégia para o turismo da região que “já não aposta só em sol e mar, mas numa oferta global que passa pelo património, turismo de natureza, ciclovia, gastronomia, enfim, diversidade”.
Para aumentar os níveis de adesão, o Santander vai lançar uma campanha nos próximos seis meses com “spreads imbatíveis” de 0,7% a 20 anos para particulares, disse António Fontes, diretor para a área de fomento à construção do banco. O responsável lembrou que a percentagem dos fundos estruturais a taxa zero está limitada e só se aplica aos primeiros projetos candidatos, pelo que há toda a vantagem que os investidores se apressem.