Imóveis: Reabilitação cresce três vezes mais que construção nova

Setor dispõe de 1,4 mil milhões de euros no âmbito do IFRRU.

O investimento em reabilitação urbana está em alta, a crescer três vezes mais do que a construção nova, em grande parte graças à dinâmica do turismo, e com ganhos muito relevantes em eficiência energética. Esta foi uma das conclusões centrais do primeiro de seis debates ‘Reabilitar para Revitalizar’, realizado dia 26 na sede do Santander Totta, em Lisboa.
A tendência de crescimento da reabilitação deverá ser mesmo  reforçada com a chegada ao mercado  de uma linha de financiamento para projetos de renovação no valor de 1,4 mil milhões de euros, ao abrigo do IFRRU (instrumento financeiro para a reabilitação e revitalização urbanas). “Há uma dinâmica muito positiva em torno deste instrumento, que já regista cerca de 200 intenções de investimento”, revelou o seu presidente executivo, Abel Mascarenhas, no debate em parceria com o Global Media Group.
Lançado em outubro último, e com um período de três anos, o IFRRU contabiliza 30 candidaturas até ao momento , correspondentes a investimentos de 100 milhões de euros. No que diz respeito às intenções manifestadas junto da banca e que aguardam formalização, os números são ainda mais promissores, equivalendo a planos de investimento de 750 milhões de euros. Ou seja, um nível de interesse que é metade do montante total disponível.
Vocacionado para imóveis com 30 ou mais anos, a linha de financiamento contempla um leque diversificado de projetos sejam para habitação própria, arrendamento, atividades económicas ou habitação social. E tem a particularidade de oferecer uma taxa de juro 50% inferior ao que se pratica no mercado para esta atividade. Razões pelas quais Abel Mascarenhas considera que “as nossas cidades não podem perder esta oportunidade”.
Enquanto banco responsável por mais de metade da linha de financiamento disponibilizada ao abrigo do IFRRU, num total de 713 milhões de euros, “o Santander Totta tem um papel decisivo no sucesso deste projeto”,  sublinhou o administrador do banco, Pedro Castro e Almeida, na abertura do debate.
O banqueiro destacou as atividades de apoio técnico mas também de divulgação e esclarecimento por todo o país, incluindo a Madeira e os Açores,  em que a instituição está envolvida, a somar aos debates previstos em parceria com o Global Media Group. São sinais de que o  maior banco privado no mercado nacional (em ativos e crédito concedido) “quer estar na linha da frente deste processo”, concluiu Pedro Castro e Almeida.
Muito relevante para a nova dinâmica da reabilitação urbana tem sido também o contributo do turismo, setor de onde partiu mais de metade dos projetos de reabilitação num programa semelhante anterior,  disse Carlos Abade. O vogal do conselho diretivo do Turismo de Portugal defende um aproveitamento dos fundos diponíveis para a revitalização do interior, em alternativa a Lisboa e Porto.
Outra dinâmica incontornável da reabilitação é a eficiência energética, sendo um requisito obrigatório dos projetos ao abrigo do IFRRU. Um investimento que se tem revelado altamente compensador.  “Os investimentos em melhoria de eficiência energética de nível mais elevado A+ são responsáveis por uma valorização entre seis a 10 por cento dos imóveis”, disse Manuel Boia, administrador da ADENE- Agência para a Energia.