Imóveis valorizam 10% com obras para melhorar a eficiência energética

“Os investimentos em reabilitação urbana que apostam nos níveis mais elevados de eficiência energética ( A+ ) conseguem uma valorização adicional do imóvel entre seis a dez por cento”, garante Manuel Boia, administrador da ADENE, Agência para a Energia. “É uma valorização bastante expressiva, podendo até ser superior”, disse, apoiando-se em estudos realizados a nível nacional e europeu.
O responsável, que falava no primeiro debate do Santander Totta focado no tema da reabilitação urbana, revelou que tendo por base um edifício tipo de oito frações no valor de 1 milhão de euros para reabilitar, o investimento médio em soluções de eficiência energética ronda os 80 a 90 mil euros, sendo que  isso tem um impacto até 100 mil euros na valorização do imóvel e corresponde a um retorno de cerca de 70 a 80 mil euros.
Em causa estão obras relacionadas com a calaftagem de janelas e isolamento de paredes e telhados. O facto de o período de retorno ser  relativamente longo, é uma das razões pelas quais muitas vezes é necessário o apoio da banca, frisou aquele administrador.
Manuel Boia destacou , por seu turno, outros ganhos, como o conforto e a poupança na fatura energética, que tanto beneficia fas amílias como as empresas e o Estado de uma forma geral.
As estimativas da ADENE apontam para reduções muito substanciais de consumo energético. “Na última década  foram emitidos 1,4 milhões de certificados energéticos,  que estiveram na origem de um total de dois milhões de medidas de melhoria  e que, no seu conjunto, foram responsáveis por uma poupança energética da ordem dos 800 milhões de euros por ano”, revelou Manuel Boia.
Indicadores que levam aquele responsável a considerar que Portugal se encontra no bom caminho para cumprir as metas de efeiciência energética inscritas no Portugal 2020. Em  matéria de legislação para a construção nova relacionada com a eficiciência energética, o administrador da ADENE considera que Portugal tem uma das legislações mais exigentes.
“Nos últimos três anos, as necessidades de aquecimento das casas baixaram em 70%”, refere Manuel Boia. Uma evolução em muito relacionada com o investimento em reabilitação que “está a  a crescer três vezes mais do que a construção nova”. Um sinal do  dinamismo vivido pelo setor da reabilitação.