Portugal é o oitavo maior produtor de vinho engarrafado

Mercado. O foco na qualidade, melhoramento das castas tradicionais e promoção da marca Portugal ajudaram a dar visibilidade aos vinhos portugueses no mercado mundial

Uma revolução tranquila transformou nos últimos 15 anos o setor vitivinícola nacional num caso sério internacional. Portugal ocupa hoje o oitavo lugar no ranking dos maiores produtores de vinho engarrafado, exporta quase metade da produção e gera um volume de negócios superior a 800 milhões de euros.
Como se chegou aqui? Além do fator “descoberta de Portugal”, o presidente do Instituto do Vinho e da Vinha (IVV) atribui estes resultados a “muito trabalho de formiguinha” feito pelos produtores, que começa agora a dar os seus frutos. Frederico Falcão falava no encerramento do ciclo de oito debates Economia Ibérica, do Banco Popular, agora Grupo Santander, dedicado ao setor agroalimentar, que decorreu entre abril e outubro deste ano.
O presidente do IVV destaca, em particular, o desvio da tónica do volume para a qualidade. “Em algumas zonas, por exemplo no Ribatejo, a produção estava muito voltada para o volume, enquanto hoje há uma maior aposta na qualidade.” Por outro lado, Frederico Falcão sublinha o efeito da criação de uma marca Portugal, que “teve um impacto muito importante”, ao juntar todo o setor.
“Os jornalistas internacionais das revistas da especialidade começaram a descobrir as castas portuguesas, diferentes daquilo a que estavam habituados e, ao mesmo tempo, com grande qualidade”, observou aquele enólogo de formação, para explicar que o fator novidade aliado à qualidade ajudou a dar visibilidade aos vinhos portugueses.
Também José Oliveira da Silva, CEO da Casa Santos Lima, enaltece o papel das castas tradicionais. “Temos provavelmente 200 castas nacionais e somos o terceiro país com maior diferenciação de castas autóctones”, disse o proprietário da Casa Santos Lima.
À frente de uma empresa com um historial que remonta ao século XIX, José Oliveira da Silva referiu que sempre quis preservar as castas tradicionais da região de Alenquer, algumas das quais em vias de extinção. “A ideia era fazer vinhos diferentes, até porque é possível despertar o interesse dos jornalistas especializados quando há castas diferentes”, disse. Uma aposta bem-sucedida, tendo em conta que a empresa exporta quase 90% do que produz para 50 mercados diferentes.
Mário Pinheiro, presidente da Ribafreixo, é mais um produtor a defender a importância das castas para a afirmação das marcas portuguesas de vinho. “Apostámos em castas portuguesas e pensámos sobretudo em desenvolver vinho branco de qualidade”, afirmou o empresário que transitou da África do Sul e do setor das tecnologias para a Vidigueira.
“Tivemos o privilégio de poder escolher o clima, as castas e os terrenos que mais se adequavam ao vinho que queríamos fazer”, disse o empresário que começou a investir há apenas uma década e já produz 700 mil garrafas de vinho, com capacidade para duplicar a produção.
No encerramento da iniciativa dedicada ao setor agroalimentar marcou presença o administrador do Banco Santander Pedro Castro e Almeida. Aquele responsável considerou que o setor dos bens alimentares e o vinho em particular estão a registar crescimentos muito significativos, oferecendo um contributo relevante para o crescimento da economia. Pedro Castro e Almeida reiterou a determinação do Santander em ser um “banco parceiro que ajuda as empresas a crescer”, nomeadamente a nível internacional, beneficiando da forte implantação do grupo a nível internacional, nomeadamente nos mercados da América Latina e nos EUA.
Também o administrador do Global Media Group José Carlos Lourenço enalteceu a performance do setor, dizendo que “a realidade do agroalimentar merece este projeto”, que visa reconhecer o trabalho e incentivar o investimento.