Proteger o património é um investimento compensador para os investidores

A proteção do património e singularidade de cada cidade deve andar de mãos dadas com a reabilitação urbana, defendeu o presidente da Associação para a Reabilitação Urbana e Proteção do Património (APRUPP).  Daniel Miranda nota que nem sempre isso acontece, e avisa que  quando identifica o risco de destruição de património, “a APRUPP tem interposto algumas providências cautelares” para travar certas intervenções.
Criticando o “défice de formação em reabilitação na fileira da construção”, aquele dirigente observa que  na generalidade das obras “fica a fachada e o resto vai tudo abaixo”. Ora, para Daniel Miranda, “a memória das cidades não está só na facha-da”, havendo que preservar, por exemplo,  características de construção como a gaiola pombalina, em Lisboa, ou a construção típica do Porto  e de Chaves, só para citar alguns exemplos.
“Já vimos o que aconteceu nas periferias quando o mercado imobiliário funciona sem travão”, desabafa o dirigente associativo, para reclamar das autoridades atenção para esta realidade. Um risco que, segundo a maioria dos oradores do debate “Reabilitar para Revitalizar”, está mais bem acautelado agora, uma vez que as candidaturas ao abrigo do IFRRU carecem de um parecer vinculativo dos municípios. E os projetos têm, por sua vez , de estar inseridos nos Planos de Ação e Reabilitação Urbana (PAR) e  Áreas de Reabilitação Urbana (ARU).
Por outro lado, “os próprios investidores já perceberam que investir na proteção do património, preservando certas características arquitetónicas, compensa”, observou António Fontes, diretor do Santander Totta. Uma ideia reforçada também por intervenções de investidores presentes na audiência,  no período dedicado a perguntas e respostas.
Um exemplo no mesmo sentido foi dado por Miguel Regal, da Magia Formosa, uma empresa que compra imóveis degradados para reabilitação. A empresa é, até agora, o primeiro caso de um projeto já aprovado ao abrigo do IFRRU 2020 para habitação, em pleno centro histórico, na Rua do Ouro. O empresário explicou que a opção pela manutenção dos arcos de pedra na parte de baixo do imóvel, característica daquela zona da cidade, e pelos melhores padrões antissísmicos, encareceram a obra, pelo que o IFRRU foi providencial. “Com o acompanhamento do Santander, o projeto foi aprovado rapidamente, em dois meses”, disse.