Quatro visões para um setor em movimento

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Carlos Abade:  “Revitalizar as cidades do interior e criar fontes de atração alternativas a Lisboa e Porto” são os desafios mais oportunos que se colocam a esta nova fase da reabilitação urbana, para melhorar a coesão económica e territorial, considera Carlos Abade, vogal da comissão executiva do Turismo de Portugal. Um objetivo em linha com a estratégia 2027 para o turismo, que assenta também na sustentabilidade ambiental, nomeadamente por via de um aumento da eficiência energética. Mais do que um mero embelezamento das cidades, Carlos Abade observa que os investimentos em reabilitação urbana induzem qualidade de vida, animação económica, em especial no turismo, e ganhos substanciais em eficiência energética. As receitas do setor cresceram 20% em 2017 para a casa dos 15 mil milhões de euros, superando todas as expectativas. Uma evolução a que não é alheio o processo de renovação dos centros históricos, diz o responsável do Turismo de Portugal.

Abel Mascarenhas:  “Este é o melhor programa de apoio à reabilitação urbana”, disse Abel Mascarenhas, referindo-se ao IFRRU (instrumento financeiro para a reabilitação e revitalização urbanas), a que preside, e que disponibiliza 1,4 mil milhões de euros. Em causa estão projetos de renovação de imóveis com 30 ou mais anos, que podem beneficiar de taxas de juro 50% inferiores aos valores praticados pelo mercado. Para simplificar o processo de candidaturas, Abel Mascarenhas refere que os candidatos dispõem de um ponto local para agilizar o relacionamento com as autarquias, que têm parecer vinculativo no processo de aprovação das candidaturas. “É uma espécie de via verde” para a reabilitação urbana, diz aquele responsável que avalia a adesão à linha de financiamento como “muito positiva”. Para divulgar esta linha de financiamento, a equipa do IFRRU está a realizar sessões de esclarecimento em todo o país, tendo já reunido mais de 2500 participantes com interesse neste programa, que tanto se destina à habitação própria como arrendamento, ou atividade económica. “São mais de cinco mil quilómetros percorridos, estando em agenda um total de 30 sessões, adiantou o gestor.

Manuel Boia: “Nos últimos dez anos foram emitidos 1,4 milhões de certificados de eficiência energética, que são responsáveis por uma poupança de cerca de 800 milhões de euros por ano na fatura energética”, estimou Manuel Boia, administrador da ADENE – Agência para a Energia. Segundo aquele responsável, e na sequência de novas exigências, “as necessidades de aquecimento baixaram em 70% nos últimos três anos”. Os estudos revelam que os investimentos em eficiência energética de nível mais elevado A+ podem induzir uma valorização entre seis e dez por cento do imóvel. Tendo por base um edifício tipo de oito frações no valor de 1 milhão de euros, o investimento médio em soluções de eficiência energética ronda os 80 a 90 mil euros, sendo que isso tem um impacto até 100 mil euros na valorização do imóvel e corresponde a um retorno de cerca de 70 a 80 mil euros, a longo prazo.

António Fontes: “Os primeiros clientes a apresentarem as candidaturas ao IFRRU dispõem de condições mais vantajosas nas taxas de juro”, disse António Fontes, o diretor do Santander Totta para a área de fomento à construção, apelando à participação atempada. “Em teoria, o ponto  local, nos municípios, seria o primeiro contacto dos investidores com o programa, mas na prática, está a funcionar ao contrário, com os candidatos a virem primeiro ao banco porque prestamos apoio técnico e fazemos o devido acompanhamento”, explica António Fontes. O Santander Totta é responsável por cerca de metade do total da linha de financiamento, gerindo 713 milhões de euros. “Um sinal de empenho na reabilitação urbana, que gera animação económica.”