Veja a entrevista a Vítor Abreu e Francisco Dezcallar

A entrevista com Vítor Abreu, dirigente da Endutex, e Francisco Dezcallar, da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, realizou-se na sede em Lisboa do banco Popular que convidou, para debater a economia ibérica, para um pequeno almoço os empresários e o jornalista António Perez Metelo

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“Espanha continua a ser a nossa principal operação no estrangeiro”

A Câmara de Comércio Luso-Espanhola não tem dúvidas de que Portugal tem tudo para ter sucesso no mercado global e explica porquê. A Endutex, empresa dedicada à arquitetura têxtil e impressão digital, é líder de mercado no seu segmento, começou a sua expansão em Espanha e hoje está em mais de 50 países. O seu CEO conta como uma empresa familiar atingiu uma dimensão internacional

 

Entrevista conduzida por António Perez Metelo

 

34523095Vítor Abreu, dirigente da Endutex, Francisco Dezcallar, da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, muito bem-vindos. Vítor, faça-nos uma ficha rápida desta empresa, que é uma empresa de têxteis técnicos. O novo têxtil de que se fala, que se transformou e que se reinventou em Portugal, está bem encarnado nesta sua empresa, não é verdade?

Vítor Abreu (V.A.) – Exatamente. Começando do fim para o princípio, para situar um bocado quem não tenha perfeita consciência, porque a Endutex é um grupo, é uma empresa pouco conhecida, o nosso core business são os têxteis técnicos, tendo, hoje em dia, já diversificado também para a área hoteleira, imobiliária e de energia, bem como para os acabamentos têxteis. Dito isto, e no que respeita ao intercâmbio comercial e à nossa presença no mercado ibérico, concretamente – em Portugal, na produção, e em Espanha, na distribuição – iremos  focar-nos na parte da Endutex revestimentos, que é efetivamente a empresa que tem esta participação e este conhecimento no mercado ibérico. A Endutex nasceu em 1970, desde o princípio com uma gente familiar e integrada no grupo têxtil.

Quase cinquentenária, portanto.

V.A. – Quase cinquentenária. O tempo passa. Eu não estava na fundação [risos], mas, de qualquer maneira, é quase cinquentenária.

Mas reinventou-se muito.

Exatamente. Eu acho que se reinventou, [tal] como o nosso espaço económico, que é a Europa. A Endutex tem de acompanhar a evolução dos tempos, na Europa e no mundo, de uma maneira geral, e por isso, sabendo nós que estamos aqui em Portugal e na Europa, com tudo o que isso representa, a Endutex tenta tirar vantagens de estar em Portugal, mas não numa perspetiva de sobrevivência, antes numa perspetiva de competitividade. E com isso, de o tempo passar, derivou de uma parte têxtil mais tradicional (mesmo a parte dos têxteis revestidos também tinha uma parte mais tradicional) para uma parte têxtil técnica, mais evoluída, com mais inovação e desenvolvimento.

E no setor automóvel, na arquitetura têxtil…

E na impressão digital. Tudo isso sempre com uma grande diversificação.

E são coisas, tecnologicamente, bastante…

Exatamente. São coisas com uma maior incorporação de know-how, de capacidade técnica e é aí que a Endutex tenta apostar.

Eu sei que tem duas fábricas, uma cá e outra no Rio Grande do Sul, salvo erro.

Exatamente, no Rio Grande do Sul.

E tem sete filiais.

Exatamente.

Isto significa o quê, em termos de volume de negócios, volume de emprego, para termos uma ideia.

Referindo só à nossa área de têxteis técnicos, que é a que mencionou, isto representa um volume de negócios consolidado na ordem dos 73 milhões de euros e cerca de 500 pessoas abrangidas por estas duas fábricas e sete filiais.

E, nesta conjuntura difícil, nomeadamente no Brasil, como é que se está a aguentar? Continua a crescer ou está com problemas, neste momento?

Eu diria que nem uma coisa nem outra. [Risos]. Focando a parte do Brasil, efetivamente o ano de 2015 foi muito tumultuoso, principalmente no que diz respeito à volatilidade cambial. A nossa empresa do Brasil importa muitas matérias–primas em moedas fortes – em dólares, euros e tudo isso – e depois vende em reais. E esta ginástica, esta adaptação dos custos de importação para a venda é complicada. Felizmente, temos uma excelente equipa de gestão na nossa unidade brasileira e também é verdade que alguma da nossa concorrência tem ficado pelo caminho, o que ajuda a negociar.

Pois, [ajuda] à implantação e expansão.

E à implantação e expansão da nossa unidade.

Portanto, continua a crescer?

Continuamos a crescer.

E a perspetiva de 2016 é para crescer.

É para crescer, um bocado em contraciclo. Não é que seja essa, basicamente, a nossa estratégia, mas efetivamente o mercado tem apostado na nossa empresa no Brasil. E nós temos crescido, mas com os pés bem assentes na Terra, porque sabemos que 2016 também vai ser um ano complicado, por isso, a política é de consolidação.

34523087Agora queria dar a palavra ao Francisco (F.D.). Há bocadinho ouvi-o dizer que, às vezes, há falta de confiança no nosso país para projetar a atividade económica. Parece que não acreditamos muito. Há essa sensação na Câmara de Comércio e Indústria, de que a atividade económica em Portugal poderia ser mais dinâmica do que aquilo que é, a partir do conhecimento que tem do setor empresarial?

F.D. – É evidente. Nós pensamos que aqui em Portugal há muitas hipóteses. Eu sempre digo – e, de facto, ouvimos falar na Câmara muitas vezes – que isto podia ser a Califórnia da Europa. Se aqui acreditassem em Portugal. Porque tem tudo. Tem tudo! Tem um clima bom, uma localização ótima, estamos no euro, tem uma estabilidade política incomparável… Quer dizer, tem todas as características… Tem gente muito bem preparada, falam-se línguas [estrangeiras], coisa que em Espanha não se fala [risos]. Tem tudo para poder ter [sucesso]. Agora, temos de querer e acreditar em Portugal. Só que, às vezes, falta isso.

A sua visão – que arranca de Espanha mas que tem já 20 anos de experiência deste país – acaba por ser mais otimista do que a de muita gente cá, não é verdade?

Às vezes, sim. Lamentavelmente, acho que sim.

E como é que explica isso?

Bom, eu não quero falar do fado. Quiçá seja um pouco um tema sentimental, um pouco português, de terem pouca confiança em si próprios. Portugal é um grande país. E sempre que eu oiço falar aos portugueses, eles falam mal dele e eu acho que isso é um erro.

Claro.

Porque os franceses vendem França, têm essa capacidade. Mas, em contrapartida, Portugal tem coisas boas e não as sabe vender ou então, não sei, parece que tem medo. Acho que  é uma pena, realmente é uma lástima, porque o país tem muito para dar e poderia desempenhar um papel mais importante do que está a desempenhar neste momento.

Quer dizer que a Câmara, que sente isso, poderia ter uma intervenção mais dinâmica.

A Câmara está sempre disposta a ajudar. O principal papel da Câmara é ajudar a atrair investimentos para cá; e o segundo é ajudar os portugueses a sair para Espanha. E, nesse sentido, nós estamos abertos a todos. Mas o nosso papel é ajudar, é acomodar, não gerar iniciativa. A iniciativa depende dos empresários. E, nesse sentido, quero dizer que a Câmara, com a ajuda da Câmara hispano-portuguesa – que quem a dirige é o senhor Calçada de Sá e com a qual temos uma ótima relação -, fará tudo o que seja aumentar, favorecer e ajudar os empresários.

E este ano de 2016 há dinamismo de investimento e aumento de trocas comerciais vindas de Espanha para Portugal ou não há?

Sim, aumento de trocas há.

Os investimentos estão mais parados.

Estão mais parados. Eu não sei se isso também pode ser por estarmos na área em que estamos. O mercado sul-europeu, o mercado que era um destino nosso, isso – o tema das nações – já passou à história. Cada vez mais, as relações são mais fáceis. Por um lado, é isto. Por outro, dado que, hoje em dia, há uma crise económica importante, neste momento a nossa relação [entre Portugal e Espanha] é mais comercial do que de investimento. Neste momento, por parte de Espanha. Isso não quer dizer que não possa ser revisto.

Eu sei, por exemplo, que o ano passado aumentou o comércio entre os dois países.

Aumentou. No ano passado, houve, mais ou menos, trocas que rondaram os 26 mil milhões de euros nos dois sentidos. E foi um aumento pequeno, relativamente ao ano de 2014. Tenho esperança de que este ano também aumente, mas vais ser [um crescimento] pequeno. Estamos a deslocar-nos em níveis que não são de grande expansão, digamos assim.

Vítor, vi que a empresa criou sete filiais, nomeadamente no centro da República Checa…

V.A. – Hungria, Polónia.

Vou-lhe fazer esta pergunta porque não sei, mas vou avançar uma hipótese: será que isso tem que ver com os têxteis automóveis e há indústria automóvel nesses países, que estão a fornecer?

Não. Não.

Mas é um dos segmentos, não é?

É um dos segmentos, certamente.

34523037Mas é aqui para o mercado interno, para a produção no país?

Não, é em termos gerais. A Endutex exporta cerca de 80% da sua produção e, por isso, o mercado interno – também depende da linha de produtos de que estamos a falar, do segmento de que estamos a falar; em algumas áreas [o mercado interno] ainda tem alguma importância, noutras áreas é mais residual -, mas, no cômputo global, a Endutex exporta 80% da sua produção e isso mostra a importância que têm os outros países na nossa estratégia comercial. Repare, a Endutex tenta, como certamente todas as empresas, fazer diferente. E fazer diferente é desde a produção à comercialização. A primeira experiência de internacionalização da Endutex foi Espanha, em 1988. E porquê? Porque além de parecer natural, na altura e na minha leitura, foi o grande presente da nossa entrada na Comunidade Europeia. Portugal estava na EFTA, na altura, e por isso já tinha comércio livre com muitos países, mas a Espanha era uma economia muito fechada. E, por isso, nós fomos para Espanha, em 88, faz quase 30 anos agora, porque foi uma grande abertura.

Com a abertura de 1986, dos dois países?

Exatamente. E em boa hora fomos, porque, hoje em dia, continua a ser – à parte a unidade no Brasil, que tem umas características diferentes -, a nossa principal operação no estrangeiro em termos de volume de negócios. Estamos muito satisfeitos com a nossa operação em Espa-nha, que tem a sede em Barcelona, mas também tem distribuição em Madrid. Nós fomos para o centro da Europa também, mais uma vez, depois da abertura desses países.

Nos anos 1990.

Nos anos 1990, exatamente, porque achámos também, mais uma vez, que era um espaço económico [atrativo]. Os outros países estavam mais ou menos consolidados, batidos.

Sim, eram os emergentes da Europa, não era?

Eram os emergentes e países com características diferentes. Mas, por exemplo, a Polónia é uma grande economia e nós estamos extremamente satisfeitos com essa operação. Por isso, a estratégia foi sempre um bocado esta: ir para sítios diferentes, fazer diferente, porque mais do mesmo, penso que já há muita coisa.

Sim, não leve a mal a minha pergunta, mas é que não há muitas empresas portuguesas que tenham apostado nesses países.

Mas não leve a mal a minha resposta [risos], eu fico contente com isso.

Mas viram ali uma oportunidade.

Vimos, vimos uma oportunidade.

E continuam a ver? Estão a dar-se bem nesses três países?

Estamos a dar-nos bem nesses três países, com características diferentes. Eu acho a Polónia, por exemplo, especificamente um mercado muito apetecível, com características quase iguais às nossas.

E que está a crescer muito bem.

E que está a crescer muito bem e que atravessou muito bem estes períodos conturbados que nós tivemos. Mas, hoje em dia, já estamos numa fase diferente da nossa estratégia. A última experiência de internacionalização que temos é na Alemanha e já é uma economia completamente diferente. Aí, é mais uma questão de implantação num país de última tecnologia, para ter outro tipo de informações do mercado.

Mas isso tem a vantagem de puxar, seguramente, pela inovação da própria empresa, não é verdade?

Certamente.

E, nesses mercados, estão com a palete generalizada de produtos, com produtos muito diversificados?

O objetivo é esse, mas mentiria se não dissesse que há setores em que esses mercados têm mais recetividade, em que a Endutex é mais competitiva. Por isso, eu diria que, dentro desses mercados todos, a parte de impressão digital – onde a Endutex, presentemente, é líder – é comum a todos e depois, a reboque, vem outro tipo de setores. Mas tentamos estar com uma palete generalizada, efetivamente.

Pergunta complementar: [qual] o investimento que fazem na inovação, em novos produtos, em novas tecnologias?

Repare, a inovação e desenvolvimento, para nós, é absolutamente crucial. É um chavão, mas, para nós, é absolutamente crucial.

Chegam a gastar 1% do volume [de negócios] nisso ou não?

Sim, andará muito próximo. Temos pessoas exclusivamente afetas à parte de inovação e desenvolvimento, temos um laboratório muito bem apetrechado e, todos os anos, desenvolvemos dezenas de novos produtos – não estou a dizer que são todos bem conseguidos, mas, pelo menos, o nosso objetivo é esse: é inovar e apresentar soluções diferentes aos nossos clientes, o que certamente, também, outras empresas tentarão fazer. Mas nós fazemo-lo, de facto, e [isso] faz parte do nosso DNA.

Francisco, este aspeto da transformação qualitativa do tecido empresarial, de algum modo, perpassa pela Câmara de Comércio Luso–Espanhola? São sentidos indiretamente ou não? Porque têm que ver mais com o investimento, não é?

F.D. – É, têm que ver mais com investimento. Fala-se do assunto e trocamos impressões, mas não é um tema que os serviços da Câmara abranjam diretamente, digamos. É evidente que o investimento, hoje em dia, é fulcral, porque as empresas, a sua vida está na evolução que existe. Mas é um tema que ultrapassa o trabalho da Câmara.

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António Perez Metelo (à esquerda) moderou mais uma conversa sobre Economia Ibérica. Vítor Abreu (ao centro) revelou que a estratégia de sucesso da Endutex reside na expansão e em tudo “fazer diferente”, desde a produção à comercialização. Francisco Dezcallar (à direita) lamentou que Portugal não saiba vender o muito que tem de bom

A Câmara sente mais interesse nas trocas comerciais e/ou investimento [por parte] de regiões particulares de Espanha, que nós sabemos que são muito diferenciadas, ou é um pouco por todo o lado distribuído?

A Câmara é completamente transparente quanto ao investimento, pelo que este é sempre bem-vindo e é favorecido, venha de onde vier, porque cria riqueza. É evidente que há interesses distintos em diferentes partes de Espanha. Há umas [regiões] que, para o seu desenvolvimento, podem ter interesses na expansão [para outros mercados], como por exemplo, quiçá, a Cata-lunha, que já tem um [grande] desenvolvimento, é uma das regiões de Espanha mais desenvolvidas. Mas há outras que, devido à proximidade, têm muita força. De facto, nós vamos, hoje em dia, ao Norte de Portugal e o Norte de Portugal e o Sul da Galiza é uma região [só]. É completamente transparente.

Sim, é uma eurorregião, vá.

É uma eurorregião.

E também se está a fazer [o mesmo], com a Extremadura, as Beiras e o Alto Alentejo.

Exato, está a começar a haver algo que as está a aproximar mais. Há espaço, muito espaço a desenvolver aí, inclusivamente, o turismo. Sobretudo na parte da Andaluzia e do Algarve. É um tema que acho que as diferentes regiões, por distintos interesses, estão a fomentar. Mas a Câmara é completamente transparente face a qualquer uma delas e apoia todas ao mesmo nível, de acordo com os seus interesses.

Uma última questão, Vítor. O que é que projeta para este ano de 2016 para o grupo Endutex?

V.A. – Deixe-me só fazer aqui um comentário ao Francisco, quando falou em relação a Portugal e aos portugueses. É verdade, eu acho que nós somos melhores do que o que projetamos, mas acho que a nova geração, hoje em dia, já não cultiva tanto o fado e prefere outras músicas. [Risos]. Eu acho que já está menos complexada.

F.D. – Concordo, concordo. [Risos].

E têm uma visão muito mais cosmopolita, não é?

Certamente que sim e bem-vinda. O que é que nós [na Endutex] projetamos. Eu como CEO do grupo e empresário, às vezes, fico um bocado triste, porque parece que o ambiente fica um bocado adverso ao empreendedorismo, mas, isto à parte… Eu não digo que a estratégia do grupo e as decisões de investimento são independentes de tudo o que se passa à nossa volta, mas nós temos a nossa estratégia: em algumas áreas, de consolidação; noutras áreas, de expansão. Como disse,  estamos, hoje em dia, também na área hoteleira e temos três novos projetos a arrancar aqui em Portugal, temos dois projetos no Brasil, também, em fase de montagem. E na parte industrial, queremos seguir nesta senda da internacionalização. Falta-nos o pé nos Estados Unidos. Gostaríamos de ter uma unidade de comercialização no mercado americano, que acho que é muito importante para nós.

Esse é o objetivo, portanto.

Em termos comerciais, é o objetivo. Em termos industriais, estamos a estudar uma série de novos investimentos, porque logicamente parar é morrer, na nossa área.

Fora do país.

Não. Fora do país, só em termos comerciais e é, como digo, nos Estados Unidos. Em termos da nossa unidade industrial cá, estamos a projetar novos investimentos, com equipamentos diferentes, etc., para poder permitir uma maior competitividade e uma maior capacidade de inovação industrial.

 

Fotos: Sara Matos / Global Imagens

Veja a entrevista a Filipe de Botton e José Gabriel Cimeno

A entrevista com Filipe de Botton, líder da Logoplaste, e José Gabriel Cimeno, da Câmara de Comércio e Indústria Luso Espanhola e da Delloitte, realizou-se na sede em Lisboa do banco Popular que convidou, para debater a economia ibérica, para um pequeno almoço os empresários e o jornalista António Perez Metelo

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“Estamos em quatro continentes e em vários mercados, mais de 15”

 

O intercâmbio ibérico continua forte porque os empresários sabem adaptar-se e vencer as condições adversas do mercado, diz a Câmara de Comércio Luso-Espanhola. A Logoplaste é a 3.ª maior transformadora de plástico rígido da Europa e está no top 10 mundial do setor de embalagens. A expansão começou em Espanha e hoje 80% da sua faturação vem do exterior. O CEO da empresa falou da sua estratégia

 

Entrevista conduzida por António Perez Metelo

 

34731833Filipe de Botton, ainda recentemente falámos sobre a experiência da expansão para aquilo que hoje é a Logoplaste, uma das dez maiores do mundo na produção de embalagens de plástico rígido. Desde a última vez em que falámos havia já no horizonte alguns problemas, algum arrefecimento em termos internacionais que, entretanto, vieram a acentuar-se. Sei que abriram duas fábricas, uma na Escócia, outra nos Estados Unidos. Fale-me das novidades da Logoplaste neste contexto geral.

Filipe de Botton (F.B.) – Em termos dos 16 países onde estamos – e hoje  estamos em quatro continentes, portanto começamos a ter uma ideia bastante alargada de como vai o consumo, como vão as economias do mundo real -, talvez os dois onde  sintamos um notório abrandamento sejam, infelizmente, Portugal e o Brasil, o que é sobejamente conhecido. Os outros estão com uma expansão significativa, quer na América do Norte quer na Europa, de uma forma geral. A Espanha é um bom exemplo de que, independentemente de uma situação política diferente…

Sim. E ainda não resolvida, não é?

… e inconclusiva do ponto de vista do consumo, temos sentido um crescimento relativamente acentuado, muito perto dos dois dígitos nos primeiros três meses de 2016. Portanto, claramente, Portugal e o Brasil são os patinhos feios neste momento em termos de crescimento.

Via como muito interessante e desejável a expansão e a consolidação da presença da Logoplaste na zona NAFTA, ou seja, no Canadá, EUA e México. Efetivamente, apostou em mais uma fábrica nos Estados Unidos e vai continuar.

Apostámos e continua a ser a nossa grande aposta.

Lembra-se de que falava de dez fábricas e faria mais sentido, para si, passar para 20 nesse espaço do que ir, por exemplo, para a China.

Mais do que mais sentido, é a estratégia clara. Penso que [isto] é verdade em termos empresariais para qualquer organização ou empresa: o importante é a previsibilidade, é a estabilidade. Por exemplo, em Portugal temos tido alguns problemas em manter essa estabilidade e em conseguir prever um quadro de referências que seja inequívoco para os próximos quatro, cinco anos, que é algo que falta aos empresários, que é eles poderem prever. Temos de gerir dentro de um ambiente de previsibilidade, que é o que temos na América do Norte.

Pois.

Ali, é um mercado maduro, estável,  onde as coisas são perfeitamente previsíveis, onde as regras são claras – não há surpresas, não há alterações fiscais, legislativas, laborais ao longo do tempo – e isso é que faz a grande diferença e que permite investir num mercado de mais de 300 milhões de consumidores – e não de habitantes, porque às vezes fala–se de habitantes dos países mas que, no entanto…

Não têm poder de compra, claro.

… não têm poder aquisitivo -, e é um mercado em franca expansão. A economia americana pode crescer mais ou menos, mas tem vindo a crescer nos últimos anos de forma sempre positiva e assim se prevê que se mantenha nos próximos anos.

Ter havido uma produção ligeiramente inferior, no ano passado, da Logoplaste em Portugal teve já que ver com riscos de imprevisibilidade de qual era o futuro político?

Acho que há uma situação notória em Portugal que é um aumento da carga fiscal brutal do ponto de vista indireto. Talvez a nível de impostos diretos não tenha havido esse crescimento e até, enfim, se tenta mostrar alguma…

Algum alívio, sim.

…evolução, mas o que é brutal é o crescimento da carga fiscal indireta, que está claramente a ter um impacto no consumo. E quem achar que não vai ser [esse] o facto basta ver o que se passa. Recentemente, com o tema dos camionistas, este tema do gasóleo, que o senhor ministro da Economia pede para os camionistas se abastecerem em Portugal e que se vê que as grandes empresas abastecem mais de 80% dos seus camiões em Espanha. Ao fim e ao cabo, não só estamos a aumentar brutalmente a imposição indireta como estamos a desviar receitas fiscais portuguesas para Espanha neste caso concreto.

34523068Gabriel Chimeno, da Câmara de Comércio e Indústria Luso–Espanhola (CCILE), vê com preocupação também ou como um problema que poderá ser ultrapassado estas dificuldades, este abrandamento que se sente nos últimos meses e que ainda não dá sinais de estar em viragem positiva na economia portuguesa?

Gabriel Chimeno (G.C.) – Efetiva-mente, o abrandamento está aí e essa preocupação penso que existe, e os empresários estão muito atentos não só sobre isto mas também sobre o abrandamento internacional.

Em Espanha também se faz sentir?

Ainda não se sente nos números que mostram as estatísticas e os dados que se apresentam ainda são muito positivos. O crescimento é forte nos últimos 12 meses consecutivos, no sentido em que, inclusivamente, nos números de janeiro ainda continua a ser significativo.

Se me permite, mesmo com uma crise política que não se resolve há três meses em Espanha.

Eu penso que quando estas crises políticas acontecem os empresários seguem com a vida deles. Eles jogam com as regras que existem agora, que há governo ou não há governo. Bom! Pois teremos de atuar nesse ambiente. Penso que as empresas, que são empresas dinâmicas, se adaptam a esta situação e ao fim do dia continuam a funcionar.

E como é que esta conjuntura se reflete no trabalho da CCILE aqui entre nós?

Basicamente, assim que se deu este ambiente menos claro, as empresas tomaram atitudes menos agressivas, logicamente.

Mais defensivas.

Mais defensivas, exatamente. A internacionalização é uma estratégia mais agressiva, menos defensiva e, nestes casos, as empresas tendem a manter uma atitude menos expansionista e, como é lógico, possivelmente adiam alguns dos planos de internacionalização. Isso acontece. Ainda, diria eu, não se nota de uma forma muito significativa, mas se isto continuasse, se esta dinâmica continuasse nos próximos meses, claro que seria muito mau para as [empresas].

Filipe, o que é que está na sua agenda perante esta situação no nosso país? E na sua estratégia como é que quer assegurar a continuidade da expansão da Logoplaste e o seu papel como uma das dez maiores na produção de embalagens de plástico duro?

F.B. – Cada vez mais focando-nos… Quando falava há pouco na China, nós não vamos para a China. E porquê? Porque estamos em quatro continentes, em vários mercados, mais de 15, mas estamos em dois grandes mercados, que é o  americano – a América como um todo: a América do Norte, Canadá, Estados Unidos, México e Brasil; portanto, cobrimos o grosso da América -, e estamos na Europa, de Portugal até à Rússia. Na brincadeira, costumamos dizer que estamos do cabo da Roca até Vladivostok, ou seja, cobrimos de facto os fusos horários de…

Lembra-se daquela ideia de – não sei se era de De Gaulle – da Europa, justamente, do cabo da Roca até aos Urais?

Exatamente. Neste momento, passamos os Urais [risos], vamos ali até Vladivostok. Enfim, não a Rússia como um todo. E é aí que nos deveremos focar. Vemos que do ponto de vista do negócio – e cada caso é um caso e cada empresa terá a sua estratégia – as empresas portuguesas, de uma forma geral, são cada vez mais empresas de valor acrescentado. O setor dos têxteis é um bom exemplo em Portugal de um setor que há… desde que eu me lembro, desde [que eu andava] na universidade, que estava a morrer, e que continua pesar de forma muito significativa no PIB e nas exportações do PIB português, porque soube reinventar-se ao longo dos anos.

Recorda-se que o Relatório Porter dizia justamente isso, que tinha toda a margem para se reinventar.

E reinventou-se. Não vou falar do calçado, que é o mais conhecido, mas do próprio setor dos têxteis.

Dos têxteis, sim.

Hoje, grande parte dos nossos têxteis são técnicos, ou seja, têxteis que  conseguimos reinventar. E se nós conseguimos ter em Espanha, se a memória não me falha, cerca de 25% das nossas exportações são destinadas a Espanha, que é um mercado que, pelo facto de estar em crescimento, nos ajuda e puxa pelo nosso setor exportador; se nós conseguimos exportar para a Alemanha, se conseguimos exportar para a França, o que demonstramos é que as nossas empresas têm capacidade, têm competências, têm produto para vender para os mercados mais exigentes.

Claro.

E daí ser fácil de entender que nós estamos muito pouco presentes, por exemplo, no mercado norte-americano, que é um mercado sedento de produtos como os portugueses. Eu diria que as empresas portuguesas teriam alguma facilidade de penetração no mercado americano, quer pelas suas competências quer pela qualidade dos recursos portugueses. De facto, os portugueses são muito bons e têm grandes possibilidades e facilidades de interagir – nós temos uma comunidade nos Estados Unidos, a comunidade portuguesa, a diáspora é muito alargada. Em alguns estados, como a Califórnia, temos cerca de 500 mil portugueses que vivem na Califórnia. Portanto, existe, ainda por cima, uma grande facilidade de interação e é um mercado que eu diria que espera por Portugal.

E tem uma grande capacidade de absorção, evidentemente.

Claro que sim.

E está, de facto, muito pouco batido. O nosso comércio internacional tem um peso ainda…

Insignificante, quer na exportação quer na internacionalização. Que são dois temas diferentes e ambos deveriam ser abordados. Portanto, vale a pena olhar para esses mercados.

 

Filipe de Botton (à esquerda) revelou que, ao contrário de Portugal, em Espanha o consumo e os resultados da Logoplaste continuam a crescer. Gabriel Chimeno (ao centro) defendeu que não há resistência à entrada de empresas portuguesas em Espanha. António Perez Metelo (à direita) moderou a conversa sobre a Economia Ibérica

Filipe de Botton (à esquerda) revelou que, ao contrário de Portugal, em Espanha o consumo e os resultados da Logoplaste continuam a crescer. Gabriel Chimeno (à direita) defendeu que não há resistência à entrada de empresas portuguesas em Espanha.

Mas falando noutra geografia, na União Europeia, neste momento sente-se como que uma fratura entre os países do Leste numa série de temas em que seguem a sua própria via e uma visão diferente daqueles 12, 15 países que constituíam “a velha Europa”. No seu ramo, há diferenciação ou, do ponto de vista das fábricas e do relacionamento com os clientes, não há diferença entre uma parte e outra da Europa?

Eu faço uma grande distinção entre o que é o mundo político, o mundo cultural, do mundo dos negócios.

E isso é uma chave de leitura muito importante, não é? Distinguir uma coisa e outra.

Ou seja, existem leis para serem respeitadas, existem culturas que têm de ser respeitadas – “em Roma, sê romano” – e que obrigam a que, quando vamos para um novo país, temos de nos adaptar ao que são as leis locais ou ao que é a cultura local. Eu não quero mudar, enfim, não posso ter aqui um espírito missionário, em que vou para a República Checa ou para a Ucrânia querer que eles falem português. Temos de ter  um entendimento claro, que é: se queremos estar noutros países, temos de nos adaptar às regras dos outros países. Mas eu distingo claramente o que é o mundo dos negócios, que tem as suas regras e que se continua a desenvolver e que tem uma proximidade e uma similitude entre os vários mercados que é enorme, e aquilo que é o mundo da política, com o maior respeito, e o mundo da cultura, em que tem de se ter um enorme respeito por ela, que é outro tema. São dois temas completamente diferentes. E nós, empresários, quando estamos no nosso papel de empresários, é a este segundo vetor que  temos de nos adequar e não ao primeiro.

Notei que insiste muito nas economias amadurecidas como tendo uma grande capacidade de expansão para a sua empresa. Eu pergunto-me: porque é que se restringe ao Brasil, sendo certo que há esforços – vejo o AICEP a esforçar-se em relação ao México, à Colômbia,  ao Chile, etc. -, porquê, justamente, sua presença no Brasil e não uma presença mais forte na América Latina?

Bom, primeiro, o Brasil representa 70% da economia da América Latina, portanto, quando se está no Brasil, está-se praticamente na América Latina, com respeito pelos outros países. Segundo, é uma questão histórica: em 1992, quando começámos a internacionalizar-nos, o Brasil surgiu pouco depois, até por questões de afinidades familiares, porque o meu pai é brasileiro. Por isso facilitou o contacto e o desenvolvimento no Brasil.

No Rio Grande do Sul, não é?

Não, é em São Paulo. Agora, se eu  em 1994, quando investimos no Brasil, soubesse o que sei hoje, em 2016, provavelmente, com o maior respeito pelo pai, que é brasileiro, e por todos os brasileiros, que eu adoro, não teria investido no Brasil. É um país que é o oposto de tudo aquilo que eu definia como previsibilidade, como estabilidade…

É volatilidade completa, não é?

Sempre foi. É aquele lado sambístico, [que] tem um reflexo, de facto, nos negócios também. Agora, isto é como tudo na vida: à segunda-feira toda a gente acerta na lotaria; o difícil é acertar à sexta-feira, quando se compra o bilhete.

E, portanto, as suas apostas são nestes dois campos. Já nem lhe pergunto por África, porque suponho que em África é muito mais difícil de entrar.

Repare, nós somos uma empresa portuguesa, uma PME internacional. Uma empresa que vende 500 milhões de euros. É uma PME no mercado internacional. Portanto, temos de nos focar. E temos de nos focar em dois grandes mercados, que representam cerca de 800 milhões de consumidores, entre a Europa e a América do Norte…

Com poder de compra.

Com grande poder de compra.

Muito importantes, do ponto de vista global, não é?

Sem dúvida. No caso do Brasil, estamos lá e mantemo-nos lá – portanto, reduzimos e concentrámo–nos, focámo-nos em termos dos custos, pusemos a empresa claramente o mais ajustada possível ao mercado. Mas, se me pergunta se proativamente vou continuar a investir no Brasil, dir-lhe-ei que não.

Pois estão a aguentar, digamos assim.

Mais do que aguentar, é importante estrategicamente para acompanhar os nossos parceiros. É um mercado onde se aprende também bastante face, depois, a outras geografias. As dificuldades, de facto, têm esse lado de aprender o que não se deve fazer. Tem pessoas, recursos humanos extremamente válidos que nós temos estado a convidar para virem para outras geografias. Enfim! Acho que temos de olhar sempre para o lado meio cheio do copo e não para o lado meio vazio.

Claro. Do ponto de vista empresarial, só se pode fazer isso, senão não faz sentido.

Claro.

Filipe de Botton (ao centro), CEO da Logoplaste, e Gabriel Chimeno (à direita), da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, aceitaram partilhar o seu know-how na terceira ronda da Economia Ibérica.

Filipe de Botton (ao centro), CEO da Logoplaste, e Gabriel Chimeno (à direita), da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, aceitaram partilhar o seu know-how na terceira ronda da Economia Ibérica. António Perez Metelo (à esquerda) moderou a conversa.

Gabriel, nestas entrevistas torna-se claro que há sempre uma relação muito particular entre um país mais pequeno e uma economia seis vezes maior ao lado. Houve um grande impulso de investimentos espanhóis cá que abrandou, não é? O que é que a Câmara sente dessa interpenetração das duas economias?

G.C. – Eu sinto que a interpenetração das economias continua. Nunca houve tanto intercâmbio como no ano passado. Os valores, os montantes crescem de ano para ano.

É muito conhecida a questão a nível financeiro. Mas eu pergunto, na economia não financeira, na economia real, o que é que nos pode dizer sobre isso?

Na economia real, [a interpenetração] continua a crescer a cada ano [que passa]. As exportações portuguesas para Espanha, no ano passado, cresceram 5%, o que para uma relação já consolidada e madura é um crescimento importante.

Puxadas pela procura, que se reanimou em Espanha.

Claramente. Puxadas pela procura e puxadas também pela postura das empresas portuguesas, muito mais dedicadas à exportação, como temos visto nos últimos anos. Eu antevejo que isso vai continuar, os mercados cada vez vão estar mais próximos e continua a haver muita relação económica entre a Espanha e Portugal. Se calhar, as empresas maiores já deram esse passo no passado mas em relação às empresas pequenas ou médias do mercado [português], estão a dar esse passo. E logicamente o mercado mais próximo, como é Espanha para Portugal, ou vice-versa, é o primeiro passo na internacionalização.

Embora aqui se tenha feito eco de que há alguma resistência à entrada de empresas portuguesas em Espanha.

Sou da opinião de que isso não existe. Haverá resistência perante qualquer novo player. Se uma empresa da Galiza também quiser entrar num mercado já estabelecido da Andaluzia, vai ter alguma dificuldade porque logicamente os operadores daquele mercado estarão fortes para se defender.

E não falemos na Catalunha, não é? [risos].

Ou na Catalunha, é igual. Afinal, entrar num novo mercado é muito difícil. O Filipe sabe isso, tem de procurar o seu espaço nos mercados novos e, portanto, [tem de] concorrer [com outros]. E, hoje em dia, nos mercados maduros, a concorrência é forte. Portanto, eu não penso que exista uma postura contra as empresas portuguesas.

Especificamente.

Penso que é uma postura de mercado e, aí, o mercado é difícil.

 

Fotos: Sara Matos / Global Imagens

Veja a entrevista a Manuel Proença e Manuel Alvaréz

A entrevista com Manuel Proença, presidente do grupo Hoti Hotéis e Manuel Alvaréz, da Câmara de Comércio e Indústria Luso Espanhola e da Remax, realizou-se na sede em Lisboa do banco Popular que convidou para um pequeno almoço os empresários e o jornalista António Perez Metelo para debater a economia ibérica

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“Estamos decididos a continuar a fazer mais hotéis em Portugal”

O Grupo Hoti Hotéis é a sétima maior cadeia hoteleira em Portugal, graças à parceria com a marca espanhola Meliá, que lhe permitiu apostar numa estratégia inovadora: o grupo tem hotéis próprios e gere os de terceiros. Para a Câmara de Comércio Luso-Espanhola o primeiro patamar de expansão internacional de qualquer empresa ibérica será sempre o país vizinho, porque é mais fácil e mais barato

 

Entrevista conduzida por António Perez Metelo

 

Lisboa, 23/03/2016 - Entrevista Economia Ibérica com Manuel Prença, Presidente do grupo Hoti Hotéis e Manuel Alvarez, Presidente da Remax Portugal. Manuel Prença, Presidente do grupo Hoti Hotéis (Diana Quintela/ Global Imagens)Manuel Proença, dirigente dos Hoti Hotéis no nosso país, a sua cadeia de hotéis está ligada a um grupo. A primeira coisa [que peço] é que nos caracterize, faça-nos uma ficha do grupo, neste momento, na sua implantação em Portugal e em Espanha, em termos gerais.

Manuel Proença (M.P.) – A Hoti Hotéis é uma empresa 100% portuguesa, o capital pertence totalmente a famílias portuguesas, e está fundada desde 1979, portanto, estamos com 37 anos. Este ano faz 37 anos, no próximo mês.

Aproximadamente a idade da nossa democracia, não é?

Praticamente. Um pouco menos, exatamente. E resultou, exatamente, da fundação no Porto, através de um primeiro hotel, que nós arrendámos – nessa altura, ainda não tínhamos capacidade para fazer investimento -, o Hotel D. Henrique, no Porto. Essa foi a nossa primeira unidade. Depois seguiram-se variadíssimos hotéis. Numa primeira fase, só por arrendamentos de hotéis e, numa fase mais tarde, através de investimento e da construção de unidades.

E agora?

Hoje, temos um total de 15 unidades hoteleiras em Portugal, que estão, a maior parte delas, sob as marcas da Meliá Hotels, de Espanha. [São as] marcas Meliá, Tryp e, brevemente, Innside, que são marcas da Meliá Hotels.

Disse-me que esta associação vai cumprir este ano 20 anos.

Isso. Está no 20.º aniversário. Em termos de cobertura territorial, ao nível de quatro estrelas, temos a melhor cobertura territorial em Portugal, principalmente com os hotéis Tryp. E estamos muito felizes com essa parceria. Está a funcionar muito bem. Vamos lançar uma nova marca, como referi, a marca Innside, e vamos continuar em frente, cá e, provavelmente, também nas antigas colónias portuguesas.

Qual é o volume de negócios e de emprego?

Aproximadamente 50 milhões de euros, na sua globalidade. E o emprego anda, aproximadamente, nos  700-750 empregados.

E, segundo vi, pelos materiais à disposição, o ano passado foi um bom ano para este negócio e para este grupo de hotéis.

Sim. Há um crescimento rápido desde 2013: O ano de 2014 foi bom; 2015 foi o recorde, com um crescimento da ordem dos 14%. Foi um crescimento fantástico e que, este ano, está a continuar, pese embora uma pequena quebra no mês de janeiro. Mas as perspetivas que temos, para este ano, é que vamos aumentar. Estamos a crescer a dois dígitos ao ano.

E taxa de ocupação é de 76%.

76%, sim.

É considerada boa na hotelaria?

Sim, sim. Taxa de ocupação média.

Média, eu sei. Durante todo o ano.

E em toda a cadeia temos alguns hotéis que têm um desempenho mais baixo. Estamos a falar em hotéis do interior. Nós temos bastantes hotéis no interior, em cidades como Castelo Branco, Covilhã, por exemplo, que têm taxas de ocupação mais baixas. Mas, no global, são 76%, além de que as taxas mais altas estão situadas aqui, em Lisboa, particularmente no Tryp do Aeroporto, e na Madeira. Essas andam acima dos 90%.

E as notícias que se ouvem é de compromissos para este verão altíssimos, não é? Ocupações prometidas ou já aprazadas próximas dos 100%.

Sim. Sim.

Também se reflete isso na sua cadeia de hotéis?

Reflete-se. Naturalmente que há picos, digamos, de ocupação, particularmente em Lisboa, que é onde se verifica maior procura, na Madeira também e nas zonas de lazer. Nas zonas do interior não será tanto, ou seja, não têm essas taxas de ocupação. Mas, no global, não tenho dúvidas de que este ano vai ser melhor do que o ano passado. Obviamente, a beneficiar não só de um trabalho bem feito ao nível do Turismo de Portugal, na área da promoção – com um foco mais no turismo digital e através da internet, o que nos favoreceu bastante -, mas também fruto destes problemas todos internacionais, que agora se verificam, da insegurança.

Quero dar a palavra agora também e as boas-vindas, a Manuel Alvarez, que é o líder da Remax no nosso país e que está aqui a representar a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola. Como é que no imobiliário, no turismo, no setor do turismo em geral, se reflete, digamos, este ambiente geral e, especificamente, para a indústria hoteleira? Como é que tudo isto se liga? Este clima de alguma incerteza que nós vivemos, mesmo assim, nos últimos anos, tem-se revelado muito positivo. Eu julgo que me poderá falar também um pouco da situação em Espanha e em Portugal, nesta matéria.

34494797Manuel Alvarez (M.A.) – Sim. Bom, o imobiliário e o turismo estão totalmente ligados, porque o turismo tem de construir um prédio e, a partir daí, dar uma utilização turística ao prédio. Mas o mais importante, que eu acho que há que destacar, é que, graças ao turismo, o mercado imobiliário em Portugal retomou com uma pujança e uma força muito grande. Os anos de 2011 e 2012 foram muito duros e foram as low-cost, foram os turistas, que começaram a chegar a Lisboa e ao Porto, principalmente, que acordaram o mercado imobiliário. As pessoas começaram a comprar prédios para reabilitação…

No Porto, esse movimento é extraordinário, não é?

É extraordinário nas duas cidades.

Esteve, de facto, muito ligado às low-cost, que ligaram o Porto a inúmeras outras cidades e criaram este fuso.

Exatamente. Portanto, o turismo foi um dos motivos fundamentais da reabilitação, de novo, das cidades, dos investimentos imobiliários, de trazer estrangeiros para investimentos imobiliários, alguns em turismo, outros não.

Negócios também, não é?

Negócios, claro. E, a partir destas duas cidades, como em círculos, foi abrangendo e está a estender-se por todo o país um maior desejo e procura de investimento imobiliário. E, volto a repetir, porque é muito importante: foi o turismo que fez acordar o mercado imobiliário.

Manuel, nós, de Espanha, agora, feliz ou infelizmente, só ouvimos notícias deste grande impasse político na formação do governo, de movimentos muito importantes na Catalunha, o futuro do país  com algumas incógnitas importantes. Mas, através da Câmara de Comércio e Indústria, o que é que nos pode falar, justamente, deste setor da hotelaria/turismo no país vizinho que possa ter interesse para os negócios cá em Portugal?

Eu acho que o turismo é o reflexo do que devem ser todas as empresas que desejam internacionalizar-se, tanto portuguesas em Espanha como espanholas em Portugal. O turismo é como um rio que se move naturalmente e é fácil. No ano passado entraram 2,4 milhões de espanhóis em Portugal. É o principal [país], penso eu.

Sim. Sim, sim.

E entraram 1,7 milhões de portugueses em Espanha.

Embora – deixe-me dizer – alguns sejam de ao pé da fronteira, não é verdade?

Exatamente. Muitos, das regiões da fronteira.

Extremadura, Beiras, Galiza, Minho, Alentejo.

M.P.  – Sim, em dormidas [Espanha] não tem o primeiro lugar; em entradas [no país], sim. Em dormidas, são os ingleses que têm a liderança.

Mas as entradas, esseintercâmbio vai-se intensificando, não é?

M.P. – Sim.

M.A. – Vai, vai. E está a crescer. Mas o mais importante é que assim como uma classe média, média–baixa, em Espanha, que quer fazer turismo, vem cá a Portugal, porque é o mais barato, também, numa internacionalização, numa empresa, o mais barato e o mais natural é passar a fronteira, ir ao lado. E, portanto, quero destacar a importância disto, neste sentido, porque é o mais fácil, porque a língua também ajuda, por tudo. E, por exemplo, a nível de turismo, estava a ver dados, a quota de mercado do turismo português na Extremadura ou na Galiza é quase 50%. Ou seja, de todo o turismo que recebem os galegos, metade é português. Isso é de uma importância para a economia da Galiza impressionante.

Por isso é que se fala das novas centralidades, em que os interiores, que de um lado e de outro da fronteira, tradicionalmente, eram muito deprimidos, estão a descobrir que, em conjunto, podem ter uma nova massa crítica para crescer mais. Eu pergunto-lhe, estando ligado ao importantíssimo Grupo Meliá, que nós sabemos com expressão… Bem, agora Cuba está muito falada!

M.P. – Sim, Cuba, agora, está na moda.

O Meliá abriu caminho…

São 30 hotéis que o Meliá tem em Cuba.

Exato. Qual é a dimensão e a importância desta dimensão ibérica no conjunto do grupo em que se inserem os Hoti Hotéis?

Bom, nós optámos, desde 1996, por fazer uma parceria com a Meliá e, felizmente, tem corrido muitíssimo bem, começando, primeiro, com os hotéis Tryp e, depois, com os hotéis Meliá e, como disse, depois com os Innside, que é uma marca que nós vamos lançar muito brevemente. Mas vimos nesta ligação, nesta parceria, grandes possibilidades. E, de facto, tem grandes possibilidades. A Meliá, em termos de hotéis de lazer, é a primeira a nível mundial – os chamados hotéis de praia -, tem um grande impacto. Em Portugal, reflete-se também esse impacto. Nós recebemos, através da plataforma Meliá, o que significa para nós mais de um terço da clientela. Ou seja, estamos a falar de 33%, 34%. Claro que não são todos espanhóis, mas a recolha, ou seja, o apport que a Meliá nos traz, através da sua plataforma, é importantíssimo. Isso tem um significado muito grande. E estamos decididos a continuar a fazer mais hotéis em Portugal e a crescer. E vamos fazer isso no futuro.

Mas os tempos estão difíceis, estão perigosos. Março em Bruxelas, novembro passado em Paris: atentados jihadistas. É um desafio ao nosso estilo de vida, ao nosso modo de vida. Sempre ouvi dizer que o turismo, justamente, era a indústria da paz, porque relacionava… E é sabido, não é? O fluxo turístico mundial é extraordinário no relacionamento de culturas, povos, etc. Mas há esta contracorrente. Até que ponto esta contracorrente pode ou não, não digo matar, mas enfraquecer o negócio?

Bom, do meu ponto de vista tem um verso e um reverso. O verso: há um crescimento fantástico em termos de turismo e de hotelaria, nos últimos tempos, em particular também em Portugal e Espanha, beneficiando dessa instabilidade internacional, particularmente depois dos atentados do Egito, da Turquia…

Da Tunísia.

…e da Tunísia.

Portanto, está a dizer-me que Portugal é considerado um destino seguro.

Seguro. Com segurança. Portanto, nós temos beneficiado também disso. E depois há os atentados mais… Digamos que já são outras áreas, também turísticas, mas são grandes cidades, como é o caso de Londres e de Paris e agora, mais recentemente, Bruxelas, o que é um reverso, porque isto cria medo.

Pois. É essa a questão.

Cria instabilidade e cria um medo, nas pessoas, de viajarem.

E as pessoas retraem-se, não é?

E as pessoas retraem-se.

Manuel Proença (centro) revelou que um terço da clientela dos Hoti Hotéis resulta da parceria com a marca Meliá. Manuel Alvarez (à direita) sublinhou que é de Espanha que vem o maior número de turistas que entram em Portugal. António Perez Metelo (esquerda) foi o anfitrião da Economia Ibérica

Manuel Proença (centro) revelou que um terço da clientela dos Hoti Hotéis resulta da parceria com a marca Meliá. Manuel Alvarez (à direita) sublinhou que é de Espanha que vem o maior número de turistas que entram em Portugal. António Perez Metelo (esquerda) foi o anfitrião da Economia Ibérica

Sobretudo, quando há atentados em aeroportos.

Sim, e com a dimensão que tiveram, não é? E, isso, é natural que tenha alguma consequência. Mas eu julgo que a outra parte, que nós chamamos o verso, é o crescimento, a facilidade de as pessoas viajarem, os preços a que a aviação conseguiu chegar, particularmente das low-cost, que facilitaram toda essa movimentação e é imparável, vai crescer. Aliás, a nível mundial, a própria Organização Mundial de Turismo anuncia taxas de crescimento que andam na ordem dos 5%, 6% e, portanto, é um movimento mundial.

Mas é porque a Ásia também está a viajar mais, não é?

Também está.

Particularmente a China.

Justamente.

É isso que sustenta, também muito, o aumento mundial dos fluxos, não é?

Tudo isso, justamente. Mas é imparável. Ou seja, nós vamos crescer, não tenho dúvidas, apesar disso [dos atentados]. Porque eu julgo que se cria um certo medo mas, isto, o que tem como consequência é o receio do terrorismo mas não é deste, digamos, que está próximo de nós, é aquele que se tem passado mais distante, não é? Que tem mais impacto. Este só tem impacto mediático, mas tem menos impacto em termos de movimentos das cidades. Nós vemos, por exemplo, Paris, que foi há relativamente pouco tempo…

Em novembro, sim.

Houve aquele impacto inicial, mas a cidade retomou e está a receber novamente o mesmo número de turistas que recebia.

Acha?

Exatamente.

Há um assunto de grande atualidade, uma vez que está em discussão o programa nacional de reformas e as questões laborais neste setor são muito importantes, porque é um negócio, sabe-se, com grande impacto sazonal: no verão, muito mais trabalho do que nas épocas do outono e, sobretudo, no inverno. Por outro lado, há precariedade que é considerada excessiva no nosso país, por comparação com as médias europeias. Como é que se consegue aqui um equilíbrio em que o fator trabalho e o fator das empresas se possam considerar mais bem servidos e mais satisfeitos na sua relação laboral?

Olhe, isso é um importantíssimo tema…

E é muito atual, não é?

Muito atual. [Um tema] que tem que ver com a hotelaria e com o turismo. Eu julgo que alguns partidos de esquerda não compreendem bem esta situação. Existem muitas atividades sazonais, particularmente na hotelaria e na restauração, [atividades] que existem e que progridem porque existem em períodos limitados de tempo e é possível fazer contratos a termo para resolver essas atividades. Existe alguma tendência, hoje, exagerada no sentido de querer abranger todas as atividades da mesma maneira, mas, na realidade, não é igual. O turismo não funciona como a indústria nem funciona como o comércio.

Em vez de um pronto-a-vestir devia ser setorialmente, não é?

Setorialmente. E, portanto…

E mesmo, se me permite, no trabalho dos hotéis há seguramente um conjunto de postos de trabalho que têm de ser permanentes e há outros que têm de ser complementados nas épocas altas.

E há unidades hoteleiras que funcionam num determinado período do verão, seja nas praias, seja nas termas, por exemplo, que funcionam num período muito limitado e que não podem trabalhar de outra maneira, portanto, têm de fazer esse tipo de contratos. E isto tem de ser compreendido, porque se não for, isto é um reverso, é um problema grave para a nossa indústria que vai ter algum impacto no crescimento futuro. Porque um empresário não pode ter pessoas, durante uma parte importante do ano, sem trabalho e estar a ter prejuízo. Isso vai contra a economia do país.

Mas tenho a certeza de que este sistema está nos grupos de trabalho que estão, neste momento, em curso.

Está, mas também muito preocupados com isso, porque…

Porque acha que o governo não apresenta abertura para essa visão sua?

Não. Não estamos a encontrar flexibilidade, para lhe dizer com franqueza, não vemos flexibilidade para isso. Mas é preciso que compreendam que esta atividade não é igual às outras, não são todas iguais e, portanto, o turismo é um caso muito especial neste caso da precariedade.

Muito bem. Manuel Alvarez, a câmara está, seguramente, sempre muito interessada em potenciar investimentos cruzados.

M.A. – Exato.

O que é que me pode dizer que a câmara está disposta a fazer proximamente, neste setor, de investimento português em Espanha e espanhol em Portugal?

As grandes empresas, tanto portuguesas como espanholas, já estão cá e já estão em Espanha. A câmara dá apoio, muitas vezes, às médias empresas que querem começar a internacionalizar-se. E uma empresa espanhola entra em Portugal e não conhece nada, não tem contactos. Portanto, o que faz a câmara é facilitar, abrir portas, ajudar, orientar. Porque é muito importante, quando uma empresa decide internacionalizar-se, encontrar uma mão amiga que a vá orientando. E é aquilo que faz a câmara.

E, quem sabe, futuramente, nas chamadas eurorregiões fronteiriças, como por exemplo as Beiras e a Extremadura ou o Minho e a Galiza, não há mais possibilidade de intercâmbio a um outro nível não tão grande – um pouco mais baixo, neste setor.

Exato. Exatamente.

 

Fotos: Diana Qintela / Global Imagens

A Inapa vista num instante

Panorâmica. Com 51 anos, a Inapa é hoje um grupo líder europeu da distribuição de papel, fortemente internacionalizado. No total da sua faturação, Portugal representa apenas 5%

 

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A funcionar desde 1965, nos últimos 25 anos a Inapa decidiu remodelar e expandir o seu negócio para atingir maior sucesso. Hoje a empresa portuguesa é a terceira maior distribuidora de papel da Europa e está presente em nove países.

A entrada em Angola aconteceu em 2010, em pleno pico da crise económica, tendo-se-lhe seguido a Turquia, em 2013, com a aquisição da Korda, a maior distribuidora de papel do país. Antes disso, já a estratégia expansionista da empresa tinha lançado raízes em França, Suíça, Luxemburgo, Bélgica e Alemanha, além de Espanha, cuja aventura além-fronteiras começou em 1990.

Hoje a Inapa é líder do mercado da distribuição de papel em quatro países – Portugal, Angola, Bélgica e Luxemburgo – e está no top 3 das maiores empresas do setor nos restantes onde opera, o que faz dela a terceira maior distribuidora de papel da Europa.

Com o mercado português representando apenas 5% da faturação total da empresa, a Inapa foi reconhecida, em 2015, por várias entidades nacionais e internacionais como a mais internacionalizada das empresas portuguesas.

Além da expansão, por detrás do sucesso da Inapa encontra-se a decisão, tomada há 16 anos, de abandonar a produção de pasta de papel, em que não era competitiva. Assim, restringiu a sua atividade no setor do papel à distribuição, que continua a ser a principal área de negócio, e diversificou a oferta para duas áreas complementares – embalagens e comunicação visual -, a que acrescentou ainda a logística das entregas.

Ultimamente, a contração da procura de papel na Europa e a forte concorrência dificultaram a vida à Inapa, cujos resultados líquidos de 2015 apresentaram um prejuízo de 400 mil euros. Mas segundo Diogo Rezende, CEO da Inapa, a empresa deverá regressar aos lucros neste ano.

 

F21_02751.   Vendas em 2015 com 881,3 milhões

Em 2015, as vendas consolidadas da Inapa atingiram os 881,3 milhões de euros. O número é sonante mas, ainda assim, representou um decréscimo de cerca de 3% face ao ano anterior. Constituindo a distribuição de papel 86% do volume de negócios da empresa, a redução da procura e o aumento da concorrência nos mercados onde o grupo está instalado ditaram uma descida de 4% nas vendas de papel. Já os negócios complementares da Inapa – embalagem e comunicação visual – tiveram um crescimento de cerca de 4% no ano passado.

 

2.   Mais de 70 mil clientes no mundo

Truck 2Internacionalizada desde 1990, a Inapa opera em nove mercados distintos e em todos eles detém uma posição de destaque – nos países em que não é líder, ocupa, pelo menos, uma posição no top 3 das maiores empresas do setor. Com 70 mil clientes e 1400 colaboradores, a Inapa assegura também um serviço de entregas  24 horas por dia, o que implica mais de 5000 entregas diárias, cujos milhões de quilómetros percorridos equivalem a sete voltas diárias à Terra e a três idas mensais à Lua.

 

F20_92613.   Uma coleção de 12 mil tipos de papel

São mais de 12 mil as referências de papel que a Inapa põe à disposição dos seus clientes, que variam em formato, textura e revestimento. É esta a área de negócio mais forte da empresa. Ao todo, em 2015 a Inapa vendeu 809 mil toneladas de papel, ou seja, um volume 3,3% menor do que em 2014, que rendeu “apenas” 785,1 milhões de euros. Além do papel, a Inapa disponibiliza ainda gamas completas de materias de escritónio, num total de cerca de 16 mil referências.

 

4. tesa_06400  Embalagens e soluções ímpares

É nas soluções e materiais de embalamento que reside a segunda área de negócios mais relevante da Inapa. Em 2015 as vendas deste ramo totalizaram 73,9 milhões de euros, mais 2,1% do que no ano anterior. Às embalagens diversas, a Inapa junta produtos inovadores, como as folhas antiderrapantes Stopgliss, que impedem o deslize de cargas até 45 graus de inclinação, e a espuma Stratocell, que pode ser customizada para proteger os produtos nas embalagens.

 

5.   Comunicação visual de grande porte

Em 2015 o negócio da comunicação visual da Inapa registou vendas no valor de 42,8 milhões de euros, uma subida de 7,6% face a 2014, em parte impulsionada pelo cross-selling com as empresas da área do papel. Na área da comunicação, a Inapa oferece consumíveis gráficos – tintas, aditivos, chapas de impressão e vernizes, etc. -, equipamentos de impressão (como as de grande formato da foto), software e a respetiva manutenção.

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Texto: Adelaide Cabral
Imagens: Inapa

Espanha pode ser uma terra de oportunidades

O segundo debate da Conferência Mercado Ibérico foi moderado por André Macedo (à esq.), diretor do DN, e contou com Enrique Santos, da CCILE, João Rui Ferreira, da Apcor, e João Fugas, da CUF Químicos

O segundo debate da Conferência Mercado Ibérico foi moderado por André Macedo (à esq.), diretor do DN, e contou com Enrique Santos, da CCILE, João Rui Ferreira, da Apcor, e João Fugas, da CUF Químicos

Espanha é uma potência económica em vários setores, mas se Portugal estiver atento e se se aplicar consegue ser mais competitivo. A Conferência Mercado Ibérico revelou dois casos em que empresários portugueses conseguiram aproveitar as oportunidades e distanciar-se da concorrência: na cortiça e nos químicos, nomeadamente, na produção de cloro e seus derivados. Ler mais