Tecnologias vieram mudar os negócios em todos os setores

Inovação. Do turismo à agricultura, as novas tecnologias revolucionaram os métodos de trabalho e modelos de negócio

 

Reservas de viagens e hotéis feitas online, drones usados na monitorização de cabos elétricos, irrigação de produções agrícolas controladas em smartphones, evolução da preparação física em ginásios seguidos a par e passo por aplicações que lançam alertas quando se está a ficar aquém dos objetivos definidos. As novas tecnologias entraram nas empresas de todos os setores e tornaram-nas mais eficientes na execução do seu negócio.

37981232Durante muitas décadas, o setor do turismo não mudou. Mas, no espaço de alguns anos, a revolução tecnológica obrigou todos os agentes deste mercado a apostar em novas formas de fazer negócio. Falando no 2.º painel de debate da conferência sobre o mercado ibérico, que tinha por tema “Inovação e tecnologia como oportunidades para o crescimento”, o administrador do Grupo Pestana, José Roquette, contou que houve dois fatores que revolucionaram o setor turístico: a mudança introduzida nos transportes aéreos pela chegada das low-cost e os operadores online. Estes últimos, hoje em dia, fazem promoção, definem tendências e têm uma capacidade de resposta que os operadores tradicionais não conseguem acompanhar. Estes operadores “criam uma desigualdade enorme. São bons para o negócio, mas obrigam as organizações a repensar o seu modelo de negócio e a chamar novos talentos para as suas equipas”, explicou José Roquette (na foto).

Também a Cersul – Agrupamento de Produtores de Cereais do Sul, criada há apenas 25 anos, não escapou a ter de se adaptar aos novos tempos. “A globalização levou-nos a repensar o nosso negócio e a levar a empresa para nichos de mercado”, contou. No âmbito das novas tecnologias, a Cersul tem hoje produções cuja rega é gerida em smartphones e tratores que recolhem, metro quadrado a metro quadrado, dados detalhados sobre o estado dos solos.

João Galileu, da Ingesport, falou da tecnologia usada nos ginásios Go Fit para evitar desistências

João Galileu, da Ingesport, falou da tecnologia usada nos ginásios Go Fit para evitar desistências

Nos ginásios GoFit, da Ingesport, o maior problema são as desistências. “50% dos clientes desiste ao fim de um ano”, contou João Galileu, diretor de operações para Portugal da Ingesport, a empresa que recuperou a piscina dos Olivais e se prepara para inaugurar, em janeiro, a do Campo Pequeno.

Aproveitando a revolução tecnológica, a Ingesport criou para os seus ginásios uma base de gestão de clientes que “que permite monitorizar o cliente, interpretar comportamentos de risco de abandono e agir antecipadamente”. Esta aplicação permite um tratamento personalizado que vai além do exercício físico: pode seguir e corrigir os hábitos de nutrição e as horas de sono.

 

Testemunhos que ficaram

37981223“Hoje é impossível imaginar o setor do turismo sem os operadores online. Eles roubaram o lugar a muitos atores. É ao mesmo tempo ameaça e oportunidade.”
José Roquette,
Administrador do Grupo Pestana

37981241“Hoje em dia fazemos a gestão de regas com tecnologias desenvolvidas em Portugal e que é feita até através de smartphones, dia-a-dia, gota a gota.”
José Maria Rasquilha,
Administrador da Cersul

37981308“Seria impossível conectarmo-nos  24 horas por dia com o cliente sem a ajuda da tecnologia . Isto permite monitorizar o cliente, até em termos nutricionais e de horas de sono.”
João Galileu,
Diretor e Operações para Portugal da Ingesport

 

Texto: Adelaide Cabral
Fotos: Nuno Pinto Fernandes / Global Imagens