Três mil jovens chegam todos os anos ao setor com mais formação

Transformação. A renovação geracional da agricultura vem acompanhada, na maioria dos casos, de formação universitária

Lisboa, 05/04/17 - Decorreu hoje a primeira de uma sŽrie de "conversas soltas", uma parceria entre a Global Media e o Banco Popular. Moderado por Ant—nio Perez Metelo, teve como convidados Miguel Guerra Velez, Juan C—rdova y Delgado, Jo‹o Machado e Joaquim Pedro Torres. (Sara Matos / Global Imagens)

O presidente do Banco Popular, Carlos Alvares, aco centro, à conversa com o CEO do GMG, Vitor Ribeiro, e outros convidados.

É uma autêntica revolução geracional que está a lavrar os campos portugueses. Todos os meses chegam ao setor cerca de 300 jovens, ou seja, há mais 3 mil jovens agricultores por cada ano que passa.
A tendência terá começado nos últimos sete anos, segundo o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal.
Mais do que uma renovação geracional, o que os dados indicam é mesmo uma reconfiguração do perfil do novo empresário agrícola, com resultados visíveis na transformação do modo de se fazer agricultura.
“Quase todos os novos empresários têm formação universitária, sendo que muitos não têm sequer formação agrícola, mas têm qualificações em marketing, economia, ou gestão”, exemplificou João Machado.
Em todo o caso existe um dado marcante  que continua a caracterizar o setor: mais de 60% da população agrícola portuguesa ainda têm mais de 65 anos. Isto num quadro global de cerca de 400 mil produtores.
“A agricultura portuguesa tem de deixar de ser de subsistência e isso está a ser gradualmente conseguido”, sustentou João Machado no debate “Conversas Soltas” no âmbito da iniciativa Economia Ibérica do Banco Popular e do Global Media Group focada no setor agroalimentar.
Esta viragem na atratividade da agricultura para as camadas mais jovens e qualificadas não teria sido possível sem a conjugação das modernas tecnologias com o saber tradicional, defende o diretor-geral da Valinveste, Joaquim Pedro Torres.
“A chave do sucesso é a aliança, muitas vezes dentro da mesma família, entre o saber de experiência feito e os conhecimentos técnicos mais modernos”, considerou o responsável da Valinveste, um dos maiores produtores de milho na região de Santarém, região onde, por sua vez, a indústria agroalimentar é um setor preponderante da economia.
Aquele agricultor  diz conhecer vários casos que comprovam isso mesmo e considera um erro arriscado que jovens agricultores, sem experiência no terreno, avancem apenas com o conhecimento técnico e sem a consultoria dos mais experientes.
Para a nova e radiosa fase de toda a fileira agroindustrial terão também contribuído alguns instrumentos de política. A esse respeito, Joaquim Pedro Torres reconhece o empenho dos dois últimos governos.
“É justo dizer-se que da parte dos dois últimos governos do PSD e do PS tem havido uma atenção e apoio ao setor em contraponto com o que acontecia até 2009, quando até havia alguma desconsideração relativamente à agricultura”, disse aquele empresário.
Um instrumento importante são os apoios à instalação de jovens agricultores, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Regional 2020, que têm como objetivos fomentar a renovação e o rejuvenescimento das empresas agrícolas, assim como aumentar a atratividade do setor agrícola aos jovens investidores, promovendo o investimento, o apoio à aquisição de terras, a transferência de conhecimentos e a participação no mercado.
As novas regras trazem algumas novidades face ao anterior programa (PRODER), nomeadamente no que diz respeito à “formação agrícola adequada” dos beneficiários e investimentos mínimos de 55 mil euros.

Carla Aguiar (Texto)

Sara Matos (Fotos)